Carnaval 2017: Paraíso do Tuiutí (Foto: Daniel Collyer/Hipermídia Comunicação)

A Paraíso do Tuiuti será a quarta escola a desfilar pelo Grupo Especial no domingo, 11 de fevereiro. O Samba-Enredo “Meu Deus, Meu Deus, Está Extinta a Escradidão?” foi composto por Cláudio Russo, Moacyr Luz, Zezé, Jurandir e Aníbal e interpretação de Nino do Milênio e Celsinho Mody.

Uma voz na varanda do Paço ecoou:
– Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão!

Folguedos, bailes, discursos inflamados e fogos de artifício mergulharam o povo em dias de êxtase e glória. Pão e circo para aclamação de uma bondade cruel, pois não houve um preparo para a libertação e ela não trouxera cidadania, integração e igualdade de direitos. Mais viva do que nunca, os aprisionou com os grilhões do cativeiro social. Ainda é possível ouvir o estalar de seu açoite pelos campos e metrópoles.

Consumimos seus produtos. Negligenciamos sua existência. Não atualizamos sua imagem e, assim, preservamos nossas consciências limpas sobre as marcas que deixaram tempos atrás.

Segue vivendo, espreitada no antigo pensamento de “nós” e “eles” e não nos permite enxergar que estamos todos no mesmo barco, no mesmo temeroso tumbeiro, modernizando carteiras de trabalho em reformadas cartas de alforria.

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Confira o Samba-Enredo do Paraíso do Tuiutí

“Meu Deus, Meu Deus, Está Extinta a Escravidão?”

Autores: Cláudio Russo / Moacyr Luz / Zezé / Jurandir / Aníbal

Intérpretes: Nino do Milênio e Celsinho Mody

Irmão de olho claro ou da Guiné
Qual será o seu valor? Pobre artigo de mercado
Senhor, eu não tenho a sua fé e nem tenho a sua cor
Tenho sangue avermelhado
O mesmo que escorre da ferida
Mostra que a vida se lamenta por nós dois
Mas falta em seu peito um coração
Ao me dar a escravidão e um prato de feijão com arroz
Eu fui mandinga, cambinda, haussá
Fui um rei egbá preso na corrente
Sofri nos braços de um capataz
Morri nos canaviais onde se plantava gente

É, calunga, ê! É, calunga!
Preto Velho me contou, Preto
Velho me contou
Onde mora a Senhora Liberdade
Não tem ferro, nem feitor

Amparo do Rosário ao negro
Benedito
Um grito feito pele do tambor
Deu no noticiário, com lágrimas escrito
Um rito, uma luta, um homem de cor…
E assim, quando a lei foi assinada
Uma lua atordoada assistiu fogos no céu
Áurea feito o ouro da bandeira
Fui rezar na cachoeira contra bondade cruel

Meu Deus! Meu Deus!
Se eu chorar não leve a mal
Pela luz do candeeiro
Liberte o cativeiro social

Não sou escravo de nenhum senhor
Meu Paraíso é meu bastião
Meu Tuiuti o quilombo da favela
É sentinela da libertação

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